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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Sempre.

 Interessante que ouvi diversas versões daquela música.

Todas elas surtiam efeitos diferentes.

A que eu mais gosto é mais lenta.

Ela diz exatamente o que quero dizer.

Dá pra entender cada palavrinha.

Dá pra entender cada frase.

Dá pra entender o que eu sinto.

De verdade.

Que caos.

Os pontos de vista.

Sim! Aproveite seu tempo para conhecer você mesma.

Aprendi tantas coisas sobre mim. Sobre auto controle, auto amor, magia, meditação, plantas, devolução da lua, oficinas de poesia... Mas o mais importante ainda não aprendi. Como esquecer?

Talvez o discurso da quarentena nos deixe um pouco aflitos pois nunca tivemos tanto tempo para nós mesmos e isso parece muito absurdo. Como pensar no nosso bem enquanto há pessoas morrendo de lá? Como aproveitar uma refeição sendo que há tantas pessoas passando fome... e então a coisa mais perigosa de se pensar: "Como posso ser feliz se tem tanta gente infeliz?". 

Há então a incoerência dos fatos.

Tenho amigos que acreditam que viemos para reencarnarmos e pagarmos os pecados das vidas passadas, e eu sempre me questionei sobre isso. Será mesmo que precisamos sofrer em uma vida que não fazemos ideia do motivo? Descartei totalmente essa possibilidade. 
Ao mesmo tempo que acredito que somos regidos pelo sol e pela lua, pelos astros e pelos Deuses, acho também que somos tão insignificantes a ponto de morrermos e ponto final, de não haver nada do lado de lá, de não haver "o lá", afinal, quem iria querer seres humanos de volta? Somos tão indignos. 
Traímos, passamos a perna, sentimos inveja... - mesmo sabendo que é um sentimento que jamais deve ser ignorado. Podemos senti-lo, só precisamos saber o que faremos com isso. - matamos, somos egoístas. São tantos pensamentos que pairam por aqui.
Ultimamente tenho usado ervas para o sono, para despertar, para me proteger. Sendo assim ainda mais interessante. O ser humano não vive sem ervas ou remédios, então que porra somos por nos acharmos tão especiais e que podemos acabar com os animais, comê-los, vesti-los e queimá-los nas matas ? Não é tudo equilíbrio? As ervas nos dão remédios, a terra nos dá alimentos, o ar limpa, purifica, oxigena, o sol esquenta e faz fotossíntese, a água hidrata - sem ela morremos - ... Humanos medíocres que se colocam no topo da cadeia.
A receita é sempre a mesma quando a insônia bate forte: 1 Colher de chá de melissa, 1 colher de chá de camomila e 1 colher de chá de erva doce. Plim, apaguei. Um ramo de capim limão debaixo do travesseiro também me faz dormir a noite toda e ter menos pesadelos. 
O que? Você não acredita? Viu só? Malditos humanos que sentem que estão acima de tudo.

Veja bem! Não é questão de se sentir vitorioso ou não merecedor, a questão é : O que você ganha se sentindo mal por estar bem?

Tenho fugido pouco ultimamente.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Quanto custa o cigarro mais barato?

   Lembro com um nó na garganta quando escrevi o cigarro mais barato, lembro da sensação de bebida barata descendo pela minha garganta, mesmo que jamais o tivesse tomado, lembro do dia chuvoso que me fez colocar capas de chuva nos meus personagens. Lembro como se fosse ontem ser uma menina de quinze anos recém descoberta. Lembro de tantos textos que escrevi pensando no cigarro mais barato. Não dava pra saber que cigarros falsificados seriam mais baratos que Malboro. Eu nunca comprei cigarros. Nunca provei nicotina diretamente nos meus pulmões, sim, existem outras formas indiretas. Quem pode dizer que existe certo ou errado ? Já fui poeta sem entender o que isso significava. Já escrevi textos enormes com erros injustificáveis, inclusive, usando vírgulas onde minha intuição mandava, e pasmem, minha intuição era terrível. Talvez ela tenha melhorado de uns anos pra cá, pois eu jamais estudei essas regras absurdas e chatas. Sempre senti as palavras, senti poesias e poemas. Não ficava pensando que estava digitando pra um grande jornal ou pra algum crítico. Eu escrevia pra gente. Pra pessoas, pra nós, pro mundo. Se três pessoas viram meus textos foram pessoas demais. Será que alguém sentia o vento frio daquele dia que acendi com a mente e nunca mais apaguei o cigarro mais barato? Será que alguém ouviu o barulho das janelas batendo por causa do vento que eu ouvi em tantos outros textos? Será? Tudo só confirma que alguns jogos no meio da sala são atemporais, que nunca se deve visualizar coisas demais, entrar em vidas, olhar por fora sem pedir permissão. É como se abrisse a cortina de um provador e se deparasse com a realidade do jeito que ela é: com pelos, com seios diferentes uns dos outros, com culotes e pés sem tratamentos estéticos. É só alguém comum, sem maquiagem, sem cera quente, sem esmalte. É só alguém. Talvez não estivesse preparada para ver a realidade, não? Quem te preparou pra isso? As revistas de moda? Os textos cruéis da Kimberly?

Hoje me preparo para abrir provadores de loja, de cigarros baratos, de nicotina impregnado no sobretudo. De cheiro do corpo alheio. Enfim, quanto custa o cigarro mais barato?